segunda-feira, junho 05, 2006

 

A desmitificação do Caroxo..

Caroxo a.k.a Arrumador Carros,

Quantas são as vezes que o cidadão normal é confrontado com a "mais recente profissão de sucesso" no dia a dia? Provavelmente, muitas mais do que as que gostava. Chega ao rídiculo de nos tentarem convencer que os parquímetros colocados pelas câmaras estão avariados ou que os fiscais nunca alí passam, como desculpa para lhes darmos uma "moedita". Uma moedita, uma porra, porque para quem ainda não se apercebeu o preço médio a pagar por este serviço são 50 cêntimos, e se imaginarmos as pessoas que têm de estacionar em vários sítios ao longo do seu dia, poderá ser mesmo um rombo no orçamento.
Procurando esclarecer as razões por detrás deste modelo de negócio, rapidamente entendemos que são as suas bases são muito frágeis e contraditórias. Se inicialmente o medo que o nosso carro ficasse riscado ou que algo pior nos pudesse acontecer, visto o arrumador ter um aspecto terrível e ser quase sempre portador da arma de contaminação instantânea - a Seringa, fosse a melhor justificação para darmos alguma coisa, hoje em dia isso não faz sentido nenhum, e porquê? Por culpa da competitividade pelo lugar habitual.

Em certos pontos o arrumador é como um comerciante, tendo o seu lugar especifico para exercer profissão e oferecer os seus serviços (além de uma experiência intimidatória, não vejo mais nenhum). Assim sendo, o mito do - risco-te o carro - é absurdo. Se tal acontecesse, existiriam retaliações óbvias do dono do carro, e sabendo a "zona" onde o arrumador está habitualmente, seria fácil demais "chamar" o culpado à responsabilidade. Ora, se pensarem bem, o arrumador não têm interesse nenhum em lesar um potencial cliente e ainda menos ter se fugir da sua zona habitual (segundo testemunhos, "está cada vez mais dificil arranjar lugares rentáveis") , sendo que obviamente não se chateiam e esperam por outro cliente. ENTÃO PORQUÊ QUE PAGAMOS? Pelo mito e pela tradição. Como a maioria dos medos, este é claramente infundado em boatos e rumores, já muito antigos (talvez dos ínicios dos tempos desta profissão, onde ainda haviam muitos lugares para eles "trabalharem").

Deixo-vos com uma pequena história para ilustrar:

"Todos os dias Rodrigo levanta-se por volta das sete horas da manhã e apanha o autocarro para o trabalho. Ou quase todos os dias. Há aqueles em que acorda ressacado de heroína e não consegue ir antes de comprar a dose que lhe tirará as dores e o deixará mais calmo. Apesar disso, já sabe que se chegar um pouco mais tarde do que é habitual à zona de estacionamento que costuma guardar, esta estará tomada. É por volta das oito, oito e tal que a praça do mercado do Bom Sucesso começa a estar à pinha e se torna uma das melhores zonas da cidade para fazer dinheiro. Logo, uma meia hora é suficiente para saber que perdeu pelo menos um conto ou dois para um dos outros arrumadores. Mas não costumam existir conflitos. Assim que Rodrigo chega ao local, quem quer que lá esteja desaparece.
«Só houve crise uma vez, quando um chico esperto julgou que tinha descoberto um lugar novo. Corremo-lo daqui e ele não voltou a aparecer
»"

A vida está díficil até para o submundo..

Comments:
That's a great story. Waiting for more. film editing schools
 
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