domingo, julho 09, 2006
Mundo de Ilusões..
A Publicidade é um mundo de meias e falsas verdades, mas acima de tudo, de muitos interesses. Não consigo pensar em mais nenhuma actividade onde o ditado " com papas e bolos se enganam os tolos" se pudesse aplicar melhor.Com isto não quero dizer que é uma ferramenta de comunicação inútil, quando no mínimo é a melhor maneira de massificarmos uma mensagem ou uma marca. O que digo, é que é sobrevalorizada e paga a peso de ouro, quando comparada com outras.
A publicidade pode ter diversos objectivos, mas de uma forma geral, o principal é sempre o mesmo - ajudar a empresa a vender mais. O engraçado neste mundo é o quanto distante estamos da medição desta mesma relação, ou seja, o quanto é que a publicidade me ajudará a vender mais? Se atingir 500.000 pessoas com uma mensagem publicitária a ilustrar e salientar o meu produto, será que ele vende mais? Talvez não. Talvez sim. O consumidor é uma caixa de pandora. Apesar dos diversos estudos que procuram "rotular" o consumidor, agrupando-o por comportamento compra, lifestyle, classes económicas, sexo, idade, cultura, etc, como se desta forma o compreendessemos e as nossas campanhas fossem infaliveis, este conhecimento só por si, não é suficiente. Não sei como reagem e o que sentem no seu subconsciente quando entram em contacto com a campanha. E como não sei eu, não sabe niguém, muito menos os criativos que desenvolvem as campanhas. Então como é que é possível gastar-se tanto dinheiro em publicidade?
A resposta está intimamente ligada ao quanto a maioria dos profissionais exige da sua campanha. E infelizmente, a notoriedade continua a ser a grande métrica utilizada pelos mesmos. Se a campanha criar notoriedade, então é porque funcionou. Esta meia verdade até pode não ser uma completa mentira, consoante os objectivos. Mas uma campanha deveria sempre funcionar da seguinte forma: Captar Atenção - Despertar Interesse - Provocar Desejo de Compra - Aquisição, e como tal deveria ser avaliada por todos estes critérios. Quantas pessoas foram "atingidas"? O que acharam, que emoções despertámos? Pesquisaram sobre o produto? Compraram?
No mundo offline este tipo de respostas é muito dificil de obter e acima de tudo perde-se muito tempo e dinheiro a encomendar estudos de mercado, que até podem ter respostas que não reflictam a verdade.
As agências também preferem que não as julguemos pela sua eficácia real, mas sim pelo quanto criativos e inovadores conseguem ser. Muitas delas, completamente afastadas da realidade do que o consumidor realmente gosta e quer ver. Que nem os "leões", também a fama e o histórico são factores de peso, e são esses que diferenciam uma de outra. Talvez o futuro diga se estão certas e se as campanhas realmente foram uma ajuda ou mais um peso no orçamento. O que digo é que andam cegos a indicar o caminho a surdos.
Espero que com as possibilidades deste mundo de bits possámos obter um entendimento mais real e que permita uma evolução do padrão habitual de actuação dos profissionais.


